terça-feira, 4 de março de 2014

Lincoln, "Discurso de Gettysburg," Texto Fala




ABRAHAM LINCOLN, "Discurso de Gettysburg" (19 de Novembro 1863)
[1] oitenta e sete anos atrás nossos pais trazidos adiante neste continente, uma nova nação, concebida em liberdade e dedicada à proposição de que todos os homens são criados iguais.
[2] Agora estamos envolvidos em uma grande guerra civil, testar se aquela nação, ou qualquer nação assim concebida e tão dedicado, pode durar muito. Estamos reunidos em um grande campo de batalha dessa guerra. Temos vindo a dedicar uma parte desse campo, como um lugar de descanso final para aqueles que aqui deram suas vidas para que essa Nação pudesse viver. É perfeitamente conveniente e justo que devemos fazer isso.
[3] Mas, em um sentido mais amplo, não podemos dedicar-não podemos consagrar-não podemos santificar-esse fundamento. Os homens corajosos, vivos e mortos, que lutaram aqui, consagraram-lo, muito acima de nosso pobre poder de acrescentar ou diminuir. O mundo vai pequena nota, nem se lembrar do que dizemos aqui, mas não poderá jamais esquecer o que eles fizeram aqui. Cabe-nos a vida, mas sim, para ser dedicado aqui para a obra inacabada que eles que lutaram aqui têm, até agora, tão nobremente avançado. É, antes, para que sejamos aqui dedicado ao grande tarefa restante antes de nós-que a partir destes honrados mortos tomamos maior devoção à causa pela qual deram a última medida transbordante de devoção que nós aqui resolvemos altamente que estes não serão mortos morreram em vão que esta nação, sob Deus, terá um novo nascimento da liberdade, e que o governo do povo, pelo povo, para o povo não pereça da terra. 

 

O SUPREMO bla - bla - bla.

Supremo blá-blá-blá

Abraham Lincoln levou pouco mais de dois minutos para pronunciar o discurso de Gettysburg (1863), às vezes considerado a maior peça de oratória em todos os tempos. Ninguém esperaria encontrar tamanho talento para a concisão no Supremo Tribunal Federal brasileiro, mas o contraste ressalta que falar muito não significa ter muito a dizer.
Os maus hábitos da linguagem empolada e da expressão prolixa continuam a prosperar no Judiciário; no Supremo, ainda mais em julgamento momentoso como o do mensalão, chegam ao apogeu. Nem mesmo certas vulgaridades, salpicadas por alguns dos advogados da defesa, alteraram a sensação do leigo de assistir a um espetáculo obscuro e bizantino.
Não há dúvida de que a Justiça deve examinar cada aspecto com cuidado, nem de que muitos aspectos são alvo de controvérsia. Ainda assim, será necessária tamanha verbosidade, reflexo, aliás, da extensão interminável dos autos, a versão escrita de cada processo?
Seria incalculável o benefício, no sentido de reduzir a morosidade judicial, caso se disseminasse uma disciplina retórica mais objetiva, direta e sucinta. Parece haver tendência recente nessa direção, mas que ainda não alcançou os tribunais superiores, muito menos o Supremo Tribunal Federal.
Admita-se, no atual julgamento, que o revisor Ricardo Lewandowski parece adotar uma estratégia de lentidão, à qual seria levado, conforme se especula, pela tendência a absolver e pelo desejo de inviabilizar o voto, tido por adverso, de seu colega Cezar Peluso, que se aposenta no início de setembro. No desmesurado da fala, entretanto, encontra eco na maioria dos ministros.
À prolixidade nos processos, somou-se a loquacidade fora deles. O costume começou há mais de dez anos, quando ministros passaram a discorrer sobre quase qualquer assunto, a pretexto de que assim prestavam contas e faziam do Judiciário um Poder menos fechado.
Conforme sublinhou o constitucionalista Joaquim Falcão nesta Folha, a lei proíbe os magistrados de se manifestar sobre qualquer processo em curso e criticar atos de seus colegas. Também neste quesito, um pouco mais de parcimônia e contenção viriam a calhar.
Quando tantas atenções se voltam para a Justiça, esse não é um quadro estimulante, ainda mais se permeado pelos rompantes de suscetibilidade exagerada, resvalando para um narcisismo pueril, nos quais se destaca o relator Joaquim Barbosa, sem que lhe faltem, porém, rivais em redor. 

Jornal folha de São Paulo - Opinião 20/08/2012